Abrindo trilhas para o turismo acessível: artigo de Maria Paula Vieira
- editoraquestione
- 12 de jun.
- 3 min de leitura
Como garantir que todas as pessoas tenham o direito de explorar a natureza com autonomia e dignidade? Essa pergunta atravessa o novo artigo publicado no blog da QUESTIONE!: “Abrindo Trilhas: Experiências e Caminhos para um Turismo Acessível nas Áreas Verdes”, assinado pela jornalista Maria Paula Vieira, realizado em parceria com a dissidência def, a pedido do sesc itaquera
A programação reuniu especialistas em turismo acessível, arquitetura, sustentabilidade e representantes de pessoas com deficiência para discutir um tema ainda pouco enfrentado de forma sistemática no Brasil: a acessibilidade em áreas naturais e no turismo de natureza.
“É preciso pensar no turismo não como um produto pronto, mas como um convite à participação e à cidadania.”
— Ricardo Shimosakai, citado no artigo
O que o artigo traz
Diagnóstico do cenário brasileiro: dados apresentados no encontro mostram que 53,5% das pessoas com deficiência deixaram de viajar por falta de acessibilidade nos destinos turísticos e que menos de 15% das trilhas em unidades de conservação federais possuem algum tipo de adaptação ou recurso acessível, evidenciando o tamanho do desafio.
Acessibilidade como direito, não exceção: o texto percorre os marcos legais citados no debate — Constituição Federal, Lei Brasileira de Inclusão (13.146/2015), Decreto 5.296/2004 e ABNT NBR 9050 — e discute por que o cumprimento ainda é insuficiente em muitos ambientes naturais.
A noção de “acessibilidade natural”: a arquiteta Silvia Arruda apresenta a ideia de que o contato com a natureza também deve ser pensado como direito, trazendo exemplos de trilhas sensoriais, recursos interpretativos e experiências nacionais e internacionais que demonstram que natureza e acessibilidade não são conceitos incompatíveis.
O caso da Trilha do Sentir, do Sesc Bertioga: um dos trechos mais ricos do artigo descreve a experiência da Trilha do Sentir, desenvolvida com princípios de Design Universal da Acessibilidade. O percurso inclui deck suspenso, corrimãos em diferentes alturas, piso tátil direcional, áreas de descanso acessíveis, sinalização em braille e relevo, audiodescrição, Libras e material digital acessível, além de ter sido concebido com participação ativa de pessoas com deficiência desde o início do projeto.
Propostas concretas para avançar: o texto encerra sistematizando caminhos apontados por participantes e palestrantes: formação continuada de profissionais, inclusão de pessoas com deficiência desde a concepção dos projetos, cumprimento efetivo das normas, fortalecimento de políticas públicas, pesquisa aplicada, tecnologias assistivas e cultura institucional de acessibilidade.
Por que esse artigo importa para a QUESTIONE!?
A publicação dialoga diretamente com a atuação da QUESTIONE! em acessibilidade cultural, formação, produção e incidência. Ao levar o debate para o campo do turismo e das áreas verdes, o artigo amplia a conversa sobre acesso, permanência e pertencimento para além dos equipamentos culturais tradicionais e reforça uma ideia central do encontro: acessibilidade não é adaptação pontual nem favor, é fundamento de cidadania, planejamento e participação social.
“A inclusão, nesse contexto, precisa deixar de ser uma adaptação pontual e se tornar um princípio organizador de todo o sistema turístico.”
- Maria Paula vieira
Convidamos profissionais de cultura, turismo, educação ambiental, gestão pública e acessibilidade a lerem o artigo completo e compartilharem experiências, referências e iniciativas. Abrir trilhas acessíveis na mata exige infraestrutura, formação e política pública, mas também exige abrir trilhas de escuta, participação e compromisso real com a diversidade humana.
Créditos do artigo: Maria Paula Vieira (jornalista), com produção e
coordenação da QUESTIONE! Editora e Produções Culturais e grupo dissidência def.
organização do Sesc Itaquera;
coordenação editorial de Mário Matos Graça Junior.


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